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Vida Simples no Alentejo

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Mudança para o Alentejo: As 5 Coisas que Fiz nos Primeiros Anos para não Passar Frio

14.01.26 | Vânia

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Ao mudar-me para o Alentejo há 5 anos, o clima foi a minha maior preocupação. Tanto o verão como o inverno aqui, são sentidos com alguma intensidade. No verão, facilmente temos vários dias seguidos com temperaturas de 40 graus ou mais. O calor é muito seco e muito difícil de suportar. No inverno, temos igualmente temperaturas baixas. Acordamos muitas manhãs com temperaturas abaixo de zero, com os carros, estradas e telhado com gelo. 

Tinha me mudada há 3 dias para a minha casa no Alentejo quando acordei nessa manhã, e qual não foi o meu espanto ao olhar pela janela e ver que estava a nevar. Claro que não era um nevão; eram flocos de neve que caíam suavemente até chegarem ao chão e desfazerem-se. Mas aí percebi que realmente estava num clima muito mais rigoroso do que aquele com que tinha vindo de Lisboa ou do Algarve, onde nasci. 

Aqui escrevi sobre isto, como foi fundamental adaptar-me, aceitar os invernos, e deixar de ter medo dele. Na verdade passei a gostar do inverno. Tem algo de mágico no inverno do Alentejo. 

Foi assim que me adaptei no primeiro ano no Alentejo; talvez estas dicas te ajudem se também fores mudar para um clima mais frio ou apenas se pretendes conviver de forma mais confortável e saudável com o frio. 

 

Como me adaptei ao inverno no Alentejo: vestuário e acessórios essenciais

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Antes de me mudar para o Alentejo adquiri algumas roupas adequadas para o clima até então não tinha. Tal como se fosse fazer uma viagem para im local com um clima diferente, mas aqui a vantagem de que ia lá ficar e usar bastante essas peças. Primeiro, adquiri umas botas impermeáveis e adaptadas a temperaturas negativas. É fundamental ter os pés quentes. Sabemos que, quando temos os pés frios, o nosso cérebro não consegue pensar bem, apesar da distância entre os pés e o cérebro. Pelo menos eu sou assim. Portanto, calçado impermeável e adaptado a temperaturas negativas é essencial. Quando estiveres fora de casa isso vai te trazer um enorme conforto. 

Casacos bem quentes, igualmente adaptados a temperaturas negativas e impermeáveis e com capuz para dias de chuva. Um casaco bem quente salva num dia de frio. É importante que seja realmente adequado a temperaturas baixas, o facto de ser um casaco com pêlo sintético ou aparentemente quente não significa que seja efetivamente um bom isolante térmico. 

Roupa témica interior. Nos meus primeiros 2 anos cá ainda usei roupa térmica interior (calças e blusa), comprei na zona de roupa de neve da loja de desporto. Nessa altura foi fundamental sobretudo porque o meu guarda roupa no geral não estava adptado totalmente ao clima frio e ajudou me a manter quente. Atulamente uso apenas se souber que vou estar muito tempo no exterior caso contrário já não sinto necessidade. A parte boa é que também nos habituamos ao clima com o passar do tempo. 

Muito importante escolher os tecidos certos. Deixei de usar calças de ganga e algodão que não seja felpado por dentro durante o inverno porque simplesmente não dão conforte térmico. Os tecidos fundamentais para o frio, bombazine, algodão, lã e tecidos felpados. 

Os pequenos acessórios podem sempre ajudar a aumentar o conforto não sendo fundamentais. Gorros, cachecois ou lenços e luvas.

 

 

Como me adaptei ao inverno no Alentejo: casa e isolamentos

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É essencial estarmos confortáveis e quentes dentro da nossa própria casa, porque, se estivermos com frio dentro de casa, quando formos sair, estará ainda mais frio. Portanto, o desconforto térmico é constante, o que se torna muito desgastante fisica e psicologicamente. A primeira coisa que fizemos quando cá chegámos foi instalar uma salamandra. É o elemento central da casa e permanece acesa durante os meses mais frios, de manhã até à noite. 

Para manter a casa quente é importante que haja isolamento térmico, caso contrário o calor produzido dentro dela vai escapar. Aqui tinhamos já a vantagem de termos o telhado isolado com lã de rocha, um isolante térmico bastante eficaz. Na sala onde está a salamdra instalamos janelas com corte térmico e vidro duplo o que fez uma diferença tremenda nesta divisão.

Temos aquecimento suplementar nos quartos e cozinha com os Ar Condicionados. No entanto, a salamandra aquece a casa toda, promovendo uma temperatura amena. Os AC são usados apenas quando estamos nessas divisões por períodos de tempo relativamente curtos. 

Na casa de banho colocamos um aquecedor de toalhas aletrico, para além de aquecer e secar as toalhas de banho também aquece a casa de banho. 

Alteramos o chão da casa que era de mosaico para chão de madeira excto nas zonas de água, como a cozinha, entrada e casa de banho. Antes da colocação do chão foi também instalado um isolante termico.

 

 

Como me adaptei ao inverno no Alentejo: pequenos gestos

Os pequenos gestos do dia a dia ajudam a manter-nos quentes. Tomar um banho quente e vestir imediatamente um pijama bem quente é fundamental para que a temperatura do corpo suba. Beber bebidas quentes, como chás ou caldos, não só é um ritual agradável, como ajuda a aquecer.

Tentar manter sempre os pés quentes, mesmo dentro de casa, com meias de lã e, no meu caso, as minhas favoritas, umas pantufas artesanais de lã, pele e cortiça. São incríveis, super confortáveis e muito quentes. Depois, aqueles pequenos rituais de aconchego — uma manta no sofá, o lume aceso, um pijama bem quente — não há nada melhor.

 

Como me adaptei ao inverno no Alentejo: aceitar e acolher o inverno

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É importante aceitar que o inverno é frio, que chove, e que, por vezes, é muito desagradável e desconfortável. Faz parte dos ciclos da natureza, e esta aceitação é meio caminho para combatê-lo. Porque, se não aceitarmos, não tomaremos medidas para nos adaptar a esta realidade e estaremos contra ela.

É importante ajustar horários e atividades. No início e no final do dia, vai estar mais frio; portanto, colocar atividades para o meio do dia, sobretudo as que são no exterior, ajuda a reduzir o desconforto térmico. Atividade física é fundamental — uma caminhada, independentemente do frio, vai aquecer, sobretudo se levarmos calçado e roupa adequada para a temperatura. Caminhar é o melhor que há: aquece, combate o frio e melhora o bem-estar. 

Ao longo destes anos, tenho melhorado algumas situações de adaptação ao frio. Por um lado, habituei-me física e mentalmente ao clima, já não necessito de tanta roupa e já não sinto tanto desconforto. Por outro lado, fui adaptando a casa aos poucos, porque é fundamental termos conforto térmico dentro de casa.

E tu, diz-me, o que fazes para te adaptar a um inverno frio?